segunda-feira, 22 de março de 2021

Folheando livros em inglês - collins, wordsworth, barnes and noble...

Oi gente, é a Lia!!! Finalmente voltando ao blog...

Tenho comprado muitos livros, porém percebi que não os tenho "apreciado". Vou tentar "folhear" os livros pra vocês também conhecerem os vários tipos de edições, o  livro como PRODUTO mesmo... 

Assisti alguns vídeos de umas pessoas mostrando o livro com detalhes, fazendo uma demonstração beeeeem lenta de tudo o que tinha no livro... não é o tipo de vídeo que consigo fazer porque gosto de coisas mais práticas e ágeis... veremos... estou separando alguns temas... seja por assunto do livro ou por tipo de livro... vamos ver... Aceito sugestões!


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PAPEL DE PAREDE AMARELO E OUTROS CONTOS, CHARLOTTE PERKINS GILMAN

Papel de parede amarelo e outros contos, Charlotte Perkins Gilman

- A glicínia gigante (1981)
- O papel de parede amarelo (1892)
- A cadeira de balanço (1893)
- A porta não vigiada (1894)
- Quando fui uma bruxa (1910)
- Água antiga (1911)
- Se eu fosse um homem (1914)

Em todos os contos, sejam eles sobrenaturais ou não, há sempre a presença dos "cuidados com a mulher", de como alguém a impede de tomar decisões sozinha, porém, nem todas se deixam submeter completamente como no conto "água antiga". 

O famoso "o papel de parede amarelo" conta com a própria personagem explicando sua situação de maneira limítrofe entre concordar ou não (inconscientemente) com os métodos que são utilizados para a recuperação de sua sanidade, que no caso é ficar confinada sozinha por dias. A própria autora passou por esse e outros "tratamentos" que se provaram ineficazes contra a depressão. Pode ser um thriller psicológico, um pedido de socorro, uma crítica à forma como são tratadas as mulheres... Pode ser tanta coisa... Entendi o motivo da fama... 

Em "se eu fosse um homem" e "quando fui uma bruxa" é engraçado como ela usa a fantasia para falar sobre certos assuntos como a incompreensão dos homens com relação à vestimenta das mulheres e como o desfecho de "quando fui uma bruxa" é supreendente e diz muito sobre o que a autora pensa e tem um paralelo muito legal até com "sejamos todos feministas" e "para educar crianças feministas"...bom, tudo o que envolve o feminismo, não é?  Não é a toa que Charlotte é considerada uma precursora de feminismo na literatura.

Adorei os contos e não me importaria se "o papel de parede amarelo" fosse maior pois ele realmente é envolvente. Mas talvez ele perdesse o sentido se fosse maior pois no começo a autora já nos diz que se trata de um versão passado em um casarão antigo... assim, já imaginamos que seja a história sobre um período de tempo... não que ele termine de forma determinada.

Gostei dessa forma despretensiosa mas precisa da autora falar sobre as questões femininas. Bom, pelo menos eu acho que foi mais instintivo do que engajado, não? Não conheço profundamente a história da autora e me parece ser uma forma de escrita experimental e que ela vai se encontrando de forma muito desenvolta...  Eu nunca li um livro porque ele era feminista ou levantava alguma bandeira pelas mulheres, então talvez os livros feministas sejam assim mesmo... mas eu imagino que não. Esse livro me "abriu" para esse tipo de livro, mesmo sem eu ter tantas referências... Se alguém tiver algum livro feminista pra indicar... ficcional ou não... deixe nos comentários!!!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

A LINHA - TERI HALL

   



    Estados Unificados e "protegidos" por um sistema chamado "A Linha". Não sabemos exatamente como essa barreira é feita, mas que é intransponível a não ser com algum tipo de chave que poucas pessoas têm acesso. O governo é opressor e violento, porém com os meios de comunicação controlados por ele mesmo... a impressão é de cidades muito bem prósperas e pacíficas.
    Rachel é uma adolescente e vive com a mãe Vivian, na Propriedade. Essa propriedade fica na fronteira e há muita especulação sobre como são as pessoas que moram do outro lado, como é a vida deles pois é possível ver que se trata de uma terra devastada já que foi bombardeada covardemente na Guerra Civil.
    Um dia, Rachel encontra um gravador com pedido de ajuda e aí tudo começa a mudar rapidamente entre ela, a mãe e a Sra. Moore - dona da propriedade. 
    
    Gostei da forma simples que somos apresentados para os Estados Unificados através da mãe de Vivian, que dá aulas de história pra filha após o expediente, pois ela não frequenta nenhuma escola. Elas estão ali isoladas por algum motivo também que vamos descobrindo aos poucos, mas é fácil de deduzir pelo que a própria Vivian conta. 
    Às vezes o comportamento da Rachel é bem irritante... é uma adolescente, mas o que ela está vivendo ali já poderia ter dado certa maturidade pra ela em alguns momentos... principalmente já perto do fim pois ela já tem conhecimento de muito mais coisas, mas passa.
    Acredito que seja o primeiro livro de uma série ou trilogia pois o final é aberto e há muuuuito a ser explicado, este é realmente um livro introdutório ao espaço que estão e ao que podem enfrentar a partir dali. (Fiz uma pesquisa rápida agora e sim... é uma trilogia, porém os outros 2 livros não foram traduzidos para o português).
    As letras são muito grandes, espaçamento também, leitura pra 1 dia... Apesar do livro curto e dele ser "introdutório"... vale muito a pena ler, gostinho de quero mais, uma leitura muito boa pra quem quer uma boa história sem muita complicação...

Título: A linha (compre aqui: https://amzn.to/2QGKeuG)
Autor: TERI HALL
Editora: NOVO SÉCULO
Ano: 2011
Páginas: 246
Edição: 1

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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

3096 - NATASCHA KAMPUSCH

3096 dias.

Três mil e noventa e seis dias.

Oito anos e meio.

Oito anos e meio em cativeiro.

Parece impossível que uma menina de 10 anos tenha ficado tanto tempo em cativeiro e tenha saído de lá sã. Isso aconteceu com Natascha Kampusch na Áustria. O livro, aliás, foi escrito pela própria vítima 4 anos após sua libertação. Ela descreve tudo o que sofreu e que inclusive conseguiu manter um diário e até reproduz algumas partes dele e tudo corta o coração. É extremamente difícil imaginar uma criança numa situação dessas com um desconhecido. Ela morava na periferia de Viena e é difícil dizer, mas se supõe que a falta de aproximação emocional com a mãe tenha "ajudado" essa criança a lidar com o sequestro. Por incrível que pareça, o que mais me revoltou nesse relato foi a forma como ela foi tratada DEPOIS do ocorrido e como continua a ser tratada. 

Sobre o cativeiro e o comportamento do sequestrador, Wolfgang Proklopil, é impossível não comparar praticamente tudo com o livro "o colecionador" de John Fowles. Tudo é muito parecido, a escolha do porão, a ventilação usada, os objetos disponíveis para a vítima... seu comportamento é muito parecido, ele deve ter se identificado muito com o personagem do livro...

No diário que Natascha mantinha no cativeiro ela contava quantos socos/tapas tinha tomado no dia, se tinha desmaiado, se tinha sido privada de comida/luz/água como uma forma de manter a sanidade. É estranho como ela conseguia se defender dos terrores físicos e psicológicos ao qual era submetida, quando ele dizia que ninguém a estava procurando mais, por exemplo. 

Com o passar dos anos, o sequestrador foi se sentindo mais seguro para liberar rádio e televisão para a garota e chegou ao ponto de sair com ela para a rua como se fossem amigos ou parentes. Ele ainda usou a "mão de obra" dela para fazer reformas em casa. 

Em um momento de descuido, ela acaba fugindo da casa dele e aí começam mais absurdos. Primeiro ela encontra um grupo de pessoas e pede o celular para ligar para a polícia e eles "desconversam" e vão embora, na casa que ela finalmente consegue pedir ajuda, a mulher diz pra ela sair da grama do seu jardim enquanto liga para a polícia. Quando a polícia chega, eles são hostis com ela até conseguir a confirmação de sua identidade.

Sua primeira entrevista dada na televisão e a maioria das outras foi remunerada. Ela fez questão de ganhar dinheiro com sua "desgraça" mesmo. E não acho isso errado. Por que ela deveria ser taxada de "má" se ela ganha dinheiro com uma história que aconteceu com ela??? Causou certa estranheza ela ter comprado a casa do sequestrador, a casa em que ficou por 8 anos como prisioneira, porém, a justificativa dela faz sentido: ela comprou para que a casa não fosse transformada em "museu" do seu sequestro. Para que outros não se aproveitassem de sua história. A casa é mantida fechada e ela a visita duas vezes por semana para cuidar dela. Só porque ela demonstrou "força" nesse momento, muitas pessoas a crucificaram. Ela lançou livro, filme... Nem tudo também é super "normal", um dos jornais afirma que ela carrega uma foto do sequestrador na carteira... E outras teorias são um tanto absurdas como quando dizem que ela, com 10 anos, orquestrou junto com Wolfgang seu próprio sequestro...

O livro é terror psicológico puro, ao mesmo tempo que é difícil até imaginar a maturidade com que ela lidou com tudo. Claro que ela teve momentos de fraqueza, mas o relato é surpreendente também. No início do livro ela conta como era sua infância e a relação que tinha com sua mãe, que fora duramente criticada também. Ela parece ter escrito até como uma forma de "justificar" a dureza de sua mãe. Comentários maldosos como "ela foi salva ao ser sequestrada pois era muito mal tratada pela família" surgiram também após conhecerem essa realação "mãe-filha".

No youtube: https://youtu.be/1T24Kc6uENA

Título: 3096 (compre aqui:https://amzn.to/33pErl0)
Autor: NATASCHA KAMPUSCH
Editora: Verus
Ano: 2010
Páginas: 224
Edição: 1

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O SENTIDO DE UM FIM, JULIAN BARNES (com spoilers)

Tony é o narrador do livro, ele está então com seus 60 anos e avalia sua vida desde sua adolescência até o presente quando recebe de herança o diário de seu amigo que se suicidara aos 22 anos.

Antes mesmo de se tornar historiador, ele e seus amigos adolescentes "filosofam" sobre como o narrador influencia a história. Como as pessoas "do futuro" vão ficar sabendo sobre os fatos, quais detalhes o narrador vai evidenciar e quais ele vai omitir? De que forma essas escolhas vão influenciar no entendimento de quem não estava presente ali? O mesmo fato contado por várias pessoas se tornará diferente. Qual o impacto dessas opiniões? Essa é a melhor parte do livro, a parte em que nos faz pensar em tantos fatores e em como tais escolhas afetam o futuro.

Depois de muitos anos, Tony é informado que herdou o diário de Adrian (que falecera). Ele então, que se achava uma pessoa comum, amistosa, que mantinha uma relação boa com a ex-esposa, percebe que causou muitos danos no passado com a reação que teve quando Adrian namorou sua ex-namorada... Ele escrevera uma carta com conteúdo bem ofensivo ao amigo causando praticamente a ruptura da amizade.

Em uma pequena parte do diário já conseguimos ver como Adrian analisava demais tudo o que acontecia à sua volta. E como o grupo de amigos era dependente de suas opiniões. Mesmo tendo "chegado" no grupo de amigos por último, todos o consideravam o melhor amigo por exemplo. Até depois que cada um foi cursar sua faculdade... Nesse início de faculdade inclusive foi quando Tony apresenta sua namorada (Veronica) para o grupo e algum tempo depois do término, Adrian aparece com Veronica...

E é Veronica que fica de "apresentar" esse diário para Tony, o que faz com dificuldade.

Me deu raiva da passividade de Tony. Dele se acomodar. Dele achar que a vida estava "boa" no marasmo, de não ter mais ambições mesmo após os 60 anos, a vida dele parece solitária mas sem ser de uma forma"boa"- se é que podemos dizer que a solidão pode ser boa de algum jeito - e foi por isso que eu não gostei do livro. Só gostei da parte em que são discutidas as formas de se contar uma história. Posso dizer que só gostei da primeira parte do livro.

Algumas pessoas dizem que tiveram vontade de reler o livro assim que terminaram para tentar encontrar as "pistas" do fim, do grande "sentido do fim", mas eu me senti confusa e frustrada. Não vou mentir e dizer que achei um livro ótimo e que tudo fez sentido. Achei uma reação muito exagerada ao livro. Acredito que cada livro tem seu "momento" para ser lido, então assim que puder lerei novamente o livro, ele é pequeno mas não fácil e rápido de se ler. Mas possível de se reler...




domingo, 27 de outubro de 2019

RAÇA DA NOITE, CLIVE BARKER

Boone, Decker e Lori são os personagens principais desse livro maravilhoso de Clive Barker!

O narrador é onisciente e logo de cara já nos apresenta Boone numa das consultas com seu psiquiatra Decker no momento em que médico apresenta ao paciente algumas provas (fotos) do que talvez poderia ter cometido:11 assassinatos. É o começo da apresentação GORE do livro (estilo que têm a presença de violência, sangue, tripas, tudo muito explícito). Através da descrição das fotos vamos nos envolvendo com a história e ficando curiosos se Boone vai se lembrar ou não do que fez ou o que fará a seguir.

O livro é dividido em 5 partes, porém não sentimos as "divisões" na narrativa, tudo flui naturalmente. O começo é bem rápido e percebemos que os assassinatos são secundários, que são só um meio de se chegar ao que o autor realmente quer nos mostrar: Midian e a Raça da noite. Do autor eu só li Hellraiser que também tem esse tipo de "mundo paralelo". No primeiro livro um mundo paralelo e em Raça da Noite esse "povo paralelo", marginal, quase sobrenatural ou anti-natural.

Midian é um lugar em que Boone ouve muito falar no hospital psiquiátrico em que está internado. Seria um lugar onde ele seria bem acolhido por ser considerado um "monstro", no início parece algum tipo de cidade em que pessoas de comportamento "inadequado" conseguem se refugiar, como se todos os seus pecados fossem perdoados, um lugar em que mesmo que tenha matado mais de 10 pessoas você não seja julgado, ninguém vai fazer com que se sinta culpado... E a culpa que Boone carrega tem muito peso até o finalzinho do livro, chega a irritar um pouco a falta de vontade dele, mas vamos lembrar que ele é diagnosticado com depressão (apesar de seu médico não ser lá muito confiável).

Porém ao chegar em Midian, Boone se depara com monstros no sentido literal. E aí somos apresentados à Raça da Noite, criaturas que não são nem angelicais nem demoníacas, uma raça que se esconde de pessoas "normais". É uma comunidade inteira, inclusive com suas crenças e profecias.

O livro é cheio de intriga e ação e tem brecha para uma continuação. Tem um filme de 1990 que dizem ser um tipo de complemento do livro

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O OLHO MAIS AZUL - TONI MORRISON


Sobre tudo o que falei no vídeo, parece bobo eu falar que é um "absurdo" uma criança querer mudar uma característica física. Sei que crianças/adolescentes/adultos querem ficar mais magros ou gordos, cabelo liso ou encaracolado, aumentar ou diminuir peitos, etc... Mas pensar que uma criança pense numa característica impossível de mudar... mesmo se ela soubesse da existência das lentes de contato coloridas, ela queria SER, não era só uma característica física, mas tudo o que envolveria ter olhos azuis.

O olho azul a tornaria bonita, a tornaria um objeto de desejo, a tornaria "alguém"... Como disse no vídeo... por que uma responsabilidade dessa tem que cair em cima de uma criança??? Por que uma criança tem que pensar nisso? Criança tem que brincar, ver outras crianças, trocar experiências com pessoas da mesma idade, aprender com os mais velhos - admirar os mais velhos... se espelhar em quem admira... claro que se você vê alguém parecido com você fisicamente fazendo algo que é admirável, você se vê representado muito mais facilmente...

Outro ponto também que esqueci de incluir no vídeo foi que não só "artistas" podem influenciar/virar exemplo para as crianças, mas os familiares também! É que demora bastante pra gente entender que nossa mãe/pai/tio/madrasta/padrasto/avô/avó tem uma lição de vida para nos ensinar...

Esse livro é muito complexo pra conseguir explicar num vídeo ou escrevendo um post uma vez só... Esse livro gera discussão, reflexão... por isso ele é tão bom! Por isso é difícil falar dele... Por isso sempre tem mais alguma coisa a acrescentar...